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Tecnologias

18/12/2005 16:55
Manual de Instalação de Lavoura Cafeeira



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Instalação da Lavoura Cafeeira

 

 


          Para se ter sucesso no sistema adensado é imprescindível instalar a lavoura da melhor forma possível. Por ser uma cultura permanente, erros cometidos na implantação poderão ser impossíveis de se corrigir, comprometendo seriamente a exploração. Efetuar economia em insumos e práticas com o objetivo de se implantar uma área superior também não é uma boa idéia. Um dos principais fatores de viabilização do café adensado é sua alta produtividade. Utilizar-se de menor nível tecnológico que o recomendado trará produtividades bem menores e conseqüentemente custos de produção por saco maiores. Desta forma, a rentabilidade do investimento será inferior à que se teria caso a área fosse inferior, mas implantada corretamente.

 


           O café adensado é uma atividade altamente intensiva, que exige grande movimentação de recursos e serviços. Portanto, é necessário efetuar um planejamento coerente antes de se implantar a lavoura. Deve-se analisar fatores como:

  • Disponibilidade de mão-de-obra e distribuição da mesma ao longo do ano, principalmente na colheita;
  • Presença de outras culturas e sua compatibilização com a lavoura de café;
  • Existência de infra-estrutura, principalmente para o processamento e armazenagem, ou a previsão de recursos par sua construção na época oportuna;
  • Capacidade financeira para custear os serviços e insumos quando forem necessários.

           Em função destes fatores, se estabelece a área a ser implantada, além de outros aspectos, como o espaçamento, variedades, etc. Após determinar a área, divide-se a mesma pelo número de anos em que se pretende formar a lavoura (dois, três, ou mais, dependendo de cada caso). Com isso, o cafeicultor pode se dedicar melhor à aquela parte da área que está sendo implantada, ganhar mais experiência com o sistema adensado, além de se beneficiar com as novas técnicas e variedades que venham a ser desenvolvidas posteriormente.

 


           Em função de sua baixa produtividade, o café tradicional necessitava de grandes áreas para se viabilizar economicamente. Isto obrigava o agricultor a plantar café em toda a sua propriedade, mesmo nas áreas marginais para esta cultura. Com o modelo adensado, o agricultor pode localizar sua lavoura de café somente nas áreas mais aptas da propriedade. No restante, ele pode trabalhar com outras atividades agropecuárias, cada qual compatível com sua área de implantação dentro da propriedade. Por exemplo, em áreas muito planas trabalha-se com lavouras anuais; em áreas muito declivosas implanta-se reflorestamento; nas baixadas pode-se trabalhar com criação intensiva de animais ou com lavouras não suscetíveis à geadas.
           A lavoura cafeeira deve-se localizar nas áreas mais altas da propriedade, isto se deve à menor suscetibilidade à geada de irradiação. Durante à noite, o ar frio, que é mais denso, desce e vai se acumular nas baixadas, aumentando a intensidade da geada nesta áreas. Dentro deste aspecto, também deve-se considerar outros fatores que provoquem a estagnação do ar frio, como terrenos muito planos, presença de vegetação densa abaixo da lavoura e terrenos convexos. Dependendo da intensidade da geada, a simples localização da lavoura na propriedade pode ser a diferença em ter ou não a lavoura atingida. Outro aspecto importante é a exposição cardinal do terreno, ou seja, faces norte, sul, leste ou oeste e quadrantes intermediários. As faces norte, noroeste e oeste são mais atingidas pelo sol, principalmente à tarde, se apresentando mais quentes que as demais, devendo ser preferidas nas regiões mais sujeitas à geadas. Entretanto, em regiões que o problema for excesso de calor, elas devem ser evitadas. As faces sul e sudoeste são mais atingidas por ventos frios, devendo, conforme a região, ser evitadas. Também é possível a instalação de quebra-ventos temporários e/ou permanentes para minimizar os efeitos do vento.

 


           O preparo inicial compreende as operações a serem realizadas no terreno, a fim de que se crie condições para as operações de preparo do solo, como aração, gradagem e sulcamento. O preparo inicial depende muito da cobertura vegetal ou do uso anterior do terreno.
           Quando a cobertura vegetal anterior é formada por mata natural ou artificial, deve ser feito primeiro o corte e o aproveitamento da madeira. Posteriormente, se faz o arranquio dos tocos com tratores de esteira. Dependendo do porte das árvores e de seu sistema radicular, pode se tentar o arranquio com cabos de aço acoplados a tratores de pneus.
           Na derrubada de cerrado, capoeira ou campo, o equipamento mais utilizado é o "correntão", por ter maior rendimento. O correntão é uma corrente pesada e comprida que é tracionada por tratores de esteiras em suas extremidades. Os tratores se deslocam paralelamente no mesmo sentido, sendo a vegetação derrubada pelo correntão.
           Após a derrubada da vegetação, por qualquer dos métodos já descritos, é necessário amontoar o material de forma a ocupar a menor área possível do talhão. Esta operação é descrita como "enleiramento" e as faixas de material amontoado são chamadas de leiras. As leiras devem ficar dispostas acompanhando o nível do terreno.
           Na derrubada da vegetação arbustiva pode ser utilizado o rolo faca para picamento da vegetação, a qual será posteriormente incorporada ao solo. O rolo faca é tracionado por trator de pneus (ou animais) e constitui-se de um cilindro de madeira ou chapa, sobre o qual são montadas facas encarregadas de cortar o material vegetal.
           No caso de culturas permanentes, pode-se usar algum dos métodos já descritos anteriormente (depende do porte da cultura). Se a cultura anterior for café, deve-se analisar a possível infestação com pragas e doenças. Neste caso é recomendável o cultivo de culturas anuais por pelo menos um ano, a fim de eliminar ou reduzir a população destas pragas ou doenças. Caso seja constatada a presença de nematóides do gênero Meloidogyne, a área deve ser manejada durante dois anos (ver item 10).
           Em pastagens formadas com gramíneas com sistema radicular trançado e de difícil eliminação, deve-se efetuar uma aração rasa, seguida de gradagem durante o período seco do ano.
           Quando o terreno foi utilizado para o cultivo de culturas anuais, não é necessário nenhuma operação adicional, podendo se passar diretamente para as demais práticas.

 


           O solo representa o principal insumo da exploração agrícola, devendo ser tratado da melhor forma possível. Contudo, para que se possa propor certas práticas de correção e manejo do solo, é necessário primeiramente conhecê-lo. Para isto, deve-se submetê-lo a certos tipos de análises, podendo ser: físicas, químicas e biológicas.


           A análise química de solo é tipo de análise mais utilizado na agricultura. Revela os teores dos macronutrientes (P, K, Ca, Mg e S), além do pH e matéria orgânica. Sua função é de servir como um dos parâmetros para recomendação de calagem e adubação de implantação. Também há a análise de solo para micronutrientes, entretanto, a maioria dos autores consideram que os resultados desta análise não podem ser utilizados para recomendações a campo. A análise química de solo é feita em laboratórios especializados e é relativamente muito barata. Para que ela possa realmente refletir as condições do solo, é indispensável que se envie ao laboratório uma amostra representativa do local de onde foi coletada. Esta amostra estará representando milhares de toneladas de solo e se não for bem coletada, a margem de erro será muito grande.

 


           Deve-se ter uma análise de solo para cada área diferenciada, ou seja, divide-se a área a ser analisada em talhões homogêneos, considerando aspectos como: tipo de solo, cor, vegetação, topografia, lavoura anterior, presença de erosão, etc. O tamanho do talhão não deve ser superior a 5,0 ha.
           Para cada talhão coleta-se uma amostra composta, que se constitui-se de no mínimo 10 amostras simples. Os pontos de amostragem são determinados aleatoriamente, caminhando na área em zigue-zague, contudo, deve-se evitar certos pontos, como locais onde foi acumulado calcário e adubo, formigueiros, por onde corre enxurrada, ou em locais por onde passam máquinas. Estes pontos poderão mascarar o resultado, não refletindo a real situação da área.
           A coleta da amostra pode ser feita com diversas ferramentas, como enxadão, pá reta ou trado. Os trados agridem menos o solo e apresentam rendimento bem maior. São compostos por um cabo de aproximadamente 1,0 m com forma de "T", tendo na sua extremidade uma peça especial (geralmente uma rosca sem fim), que é responsável pela introdução do trado no solo e a retirada da amostra. Para retirar a amostra com enxadão ou pá reta, deve-se cavar um pequeno buraco com a profundidade desejada e retirar uma fatia de uma das paredes (ver figura 4.1).


Figura 4.1 - Retirada de amostra de solo com enxadão.


           As amostras devem ser retiradas na profundidade 0 a 20 cm. No caso de implantação, deve-se também retirar uma amostra de 20 a 40 cm, a qual serve para se detectar alumínio em profundidade. Após a retirada do solo, as amostras simples devem ser colocadas e transportadas em um balde plástico limpo e seco. Terminada a coleta, misturam-se muito bem as amostras, dando origem a uma amostra composta. Retira-se cerca de meio kg desta mistura, faz-se a identificação e envia-se ao laboratório para a análise.

 


           Existem várias análises físicas que pedem ser feitas no solo, tais como granulometria, densidade aparente, infiltração de água, entre outras. Muitas delas são necessárias quando se vai efetuar um projeto de irrigação. Entretanto, há um tipo de análise física que é indispensável para qualquer situação. Trata-se da análise de compactação do solo.
           A compactação ou adensamento é causada pelo excesso de trânsito de máquinas e o uso inadequado de implementos agrícolas. Ela geralmente não se distribui uniformemente no perfil do solo, se localizando em somente uma camada, chamada de camada adensada. A profundidade da camada adensada depende do manejo que é dado ao solo, podendo ser superficial ou em profundidade. Esta camada deve ser eliminada, pois constitui uma barreira à penetração das raízes e ao conseqüente bom desenvolvimento das plantas. Para eliminá-la, deve-se primeiro conhecer a profundidade em que se localiza. Isto pode ser feito cavando-se uma trincheira na profundidade que se deseja analisar e com a ponta de uma faca ou canivete ir cutucando uma das paredes da trincheira a diferentes profundidades, até encontrar a camada mais adensada. Uma maneira mais rápida e direta é através do uso de equipamentos especiais denominados penetrômetros, os quais medem a resistência do solo à penetração de uma haste pontiaguda.

 


           As análises biológicas tem como objetivo detectar a existência de organismos prejudiciais. No caso da cafeicultura, é indispensável a análise nematológica para identificar a possível presença de nematóides do gênero Meloydogyne, os quais podem inviabilizar a atividade. A descrição de como se coletar amostra para este tipo de análise está no item sobre nematóides.

 


           O solo ideal para a cafeicultura seria um solo com boas características físicas, químicas e biológicas e com alto ter de matéria orgânica. Sua composição física deveria ser a seguinte: 50% de fração sólida, 5% de matéria orgânica e 45% de espaços vazios (porosidade). Um solo assim praticamente só é encontrado em matas naturais. A maior parte dos solos utilizados para o plantio de café já são explorados há décadas, estando muitas vezes altamente degradados pelo manejo incorreto. Implantar uma lavoura de café nesta situação seria um erro. É possível corrigir em parte este problema através das práticas de preparo e correção do solo, adubação orgânica e química. Entretanto, o ideal seria manejar este solo por um ou dois anos, visando sua recuperação. Considerando que o modelo adensado recomenda a implantação parcelada da lavoura cafeeira, o cafeicultor poderia, enquanto implanta um talhão de café, ir manejando outros talhões para implantação futura. Além disto, o manejo do solo pode reduzir os insumos utilizados na implantação, de alto custo, como os fertilizantes orgânicos e químicos. A adubação orgânica, dependendo da região, pode ser extremamente cara.
           O manejo pode ser realizado realizado com adubos verdes, que são plantas cultivadas com o objetivo de melhorar o solo (ver item 7 - Adubação ). Os mais recomendados são as leguminosas, como guandu, as mucunas e crotalárias. Também é possível utilizar lavouras comerciais de alta produção de massa, como o milho, desde que cultivado com alta tecnologia. O fato de se trabalhar com adubos verdes não quer dizer que a lavoura não terá produção econômica. Muitos espécies podem ter sua produção colhida e vendida.

 


           A calagem é a operação de aplicar calcário no solo. Os objetivos desta operação, bem como a recomendação de quantidade são tratados no item 7 - Aubação. O calcário necessita ser incorporado ao solo para que possa reagir com o mesmo. Esta incorporação deve ser efetuada juntamente com o preparo do solo para o plantio.
           A distribuição de calcário pode ser efetuada de várias formas, entretanto, recomenda-se que se efetue com equipamentos apropriados para uma distribuição uniforme. Os mais utilizados são carretas tracionadas por trator, as quais apresentam uma esteira no fundo que transporta o calcário em direção à traseira da carreta, onde existem duas hélices, as quais distribuem o produto. Este equipamento é mais eficiente para distribuir calcário úmido, se for utilizado para calcário seco, poderá haver desuniformidade de distribuição, pois qualquer corrente de ar transporta o produto para longe.
           Outro tipo de equipamento é conhecido popularmente como "cocho" , semelhante a uma semeadeira, que distribui o calcário em linhas através de um mecanismo acionado pelas rodas do equipamento. Também é tracionado por trator. Este equipamento deve trabalhar somente com calcário seco para não ocorrer "embuchamento" do mecanismo de distribuição.

 


           O preparo do solo visar dar melhor condição de desenvolvimento ao sistema radicular das plantas. Para isto, são realizadas algumas operações no solo, tornado-o menos denso, mais arejado, possibilitando melhor infiltração e armazenamento de água. Dependendo da condição do solo, é possível evitar algumas operações.
           Se for necessário efetuar calagem, a época de preparo do solo deve ser pelo menos três meses antes da época de plantio.

 


           A subsolagem é uma prática realizada com o objetivo de desagregar camadas compactadas do solo, a fim de facilitar a penetração das raízes e água para maiores profundidades. A implantação da lavoura cafeeira pode se inviabilizar, caso não seja feita esta operação em solos com problemas de compactação. Neste caso, o problema causado no sistema radicular tornará as plantas muito mais sensíveis à períodos de estiagem, poderão surgir problemas de deficiência mineral, e até morte de plantas em anos de grande safra.
           A subsologem é realizada por equipamentos denominados subsoladores que apresentam hastes que penetram no solo, sendo tracionados por tratores. Devido ao fato de trabalharem a maiores profundidades, são implementos que requerem alta potência para sua utilização. Os principais parâmetros para regulagem do subsolador são a profundidade de trabalho e o espaçamento entre as hastes. Deve-se regular a profundidade de modo que as hastes passem abaixo da camada que se deseja romper. O espaçamento entre as hastes deve ser 1,2 vezes maior que a profundidade de trabalho. Para maior eficiência, a subsolagem deve ser realizada com baixo teor de umidade. Para solos que não apresentam camada compactada, esta operação pode ser dispensada.


           A aração é uma operação que visa diminuir a densidade do solo, aumentando os espaços vazios. Também promove a descompactação do solo, embora não em maiores profundidades como ocorre com a subsolagem. É realizada por equipamentos denominados arados, que podem ser de discos ou de aivecas. Geralmente são tracionados por tratores, embora também existam arados (de aiveca) próprios para tração animal. Estes fazem o serviço mais superficialmente, mas se adaptam bem aos pequenos produtores sem infraestrutura, além disto, conseguem trabalhar em áreas mais declivosas. A passagem do arado sobre o solo provoca a inversão da camada de solo trabalhada. Por causa disto, a aração também é utilizada para incorporação de calcário. A profundidade de trabalho desta operação deve ser a maior possível (geralmente não ultrapassa 25 cm). A aração não deve ser realizada com o solo muito úmido, nem muito seco. Há um ponto de umidade ideal para trabalho chamado de "ponto de sazão". Na prática este ponto é percebido com um teste simples: ao se pressionar uma pequena porção de terra com uma das mãos, consegue-se fazer uma pequena pelota, mas que se desmancha facilmente à pressão dos dedos.
           Para solos com boas características físicas e sem necessidade de calcário, pode-se dispensar a aração.

 


           A gradagem é uma operação que visa basicamente completar o serviço executado pelo arado e pelo subsolador, no sentido de desagregar os torrões, nivelar a superfície do solo para facilitar a operação seguinte, diminuir os espaços vazios entre os torrões e destruir os sistema de vasos capilares que se formam na camada superior do solo, a fim de evitar a evaporação de água das camadas mais profundas.
           A gradagem é realizada por grades, que são implementos geralmente de arrasto e tracionados por tratores, embora hajam grades próprias para tração animal. Podem ser de vários tipos e modelos, sendo mais comum a grade de discos tipo "off-set" .            Mesmo não sendo recomendada, há um tipo de grade muito usada para o preparo do solo. Trata-se da grade aradora pesada, conhecida popularmente pelos agricultores como grade "rome" . Apresenta os discos de grande diâmetro e peso, penetrando mais profundamente no solo. São muito usadas para substituir a aração, pois têm grande rendimento operacional e conseguem trabalhar em terrenos com grande infestação de plantas daninhas. Entretanto, não devem ser usadas, pois pulverizam muito a superfície do solo e compactam a camada inferior, onde os discos não atingem. Isto torna o solo altamente suscetível à erosão hídrica, além dos problemas quanto à penetração das raízes.
           Para um serviço melhor, geralmente são necessárias duas gradagens niveladoras no mesmo terreno. A fim de diminuir a pulverização da camada superficial do solo, recomenda-se efetuar a gradagem com o solo ligeiramente úmido.

 


           A locação do cafezal é a distribuição planejada das ruas de café, carreadores e terraços. Os carreadores tem o objetivo de facilitar os tratos, a colheita e o transporte. São muito importantes, principalmente em área muitos grandes. Podem ser de dois tipos: pendentes e em nível. Os carredores pendentes são perpendiculares ao nível do terreno e devem ser desencontrados, ou seja, devem terminar em um carreador em nível, sem cruzá-lo. Isto tem o objetivo de cortar o escorrimento da água da chuva. A distância entre dois carreadores pendentes deve ser de 80 a 100 m. Devem ser previstos lombadas e bigodes nos carreadores pendentes para desviar a água da chuva para os terraços.
           As ruas de café devem estar em nível e é interessante que terminem em um carreador em nível para facilitar o manejo. Para fazer isto, deve-se locar linhas em nível em toda a área, construindo terraços sobre as mesmas. A distância entre as linhas depende da declividade do terreno. A cada duas linhas de nível pode-se locar um carreador em nível. Os sulcos de plantio devem ser abertos paralelamente às linhas de nível em que não foram locados carreadores, desta forma os sulcos terminarão sempre em um carreador em nível.
           Grande parte das lavouras adensadas são pequenas e localizadas em terrenos estreitos. Neste caso, apenas um carreador pendente dividindo a lavoura pode ser suficiente.

 


           Quando se implanta uma lavoura de café, tenta-se propiciar às mudas uma condição de solo altamente favorável, a fim de permitir o rápido desenvolvimento dos cafeeiros. Para isto, preparam-se covas ou sulcos, para que, pelo menos aquela parte do solo mais próxima das raízes da muda esteja muito bem fertilizada. Mesmo porque, não é viável economicamente adubar toda a camada de solo a ser explorada pelas raízes.
           O volume de terra corrigida destinado a cada muda deve ficar em torno de 35 litros. Volumes muito superiores exigirão também altas quantidade de fertilizantes, já que a recomendação destes também se faz em função do volume da cova ou sulco. Para facilitar a abertura das covas ou sulcos, recomenda-se fazer antes o alinhamento da futuras ruas de café. Isto pode ser feito com o subsolador com apenas uma haste ou com o sulcador sem as abas laterais. Esta operação deve ser feita na maior profundidade possível, a fim de também permitir um caminho mais livre para crescimento das raízes em profundidade. Isto não substitui a subsolagem, caso ela seja necessária.
           As ruas de café devem ser paralelas aos terraços ou às linhas em nível (ver item anterior). Para orientar a demarcação do espaçamento correto entre as ruas, usa-se uma haste de madeira presa na frente do trator (ver foto 4.2). Esta haste deve ter o mesmo comprimento do espaçamento desejado e uma corrente na extremidade (também pode ser uma corda com um peso na ponta). Desta forma, o trator seguirá paralelamente à uma linha em nível (ou a um sulco já aberto) e a corrente (ou o peso) passará sempre em cima desta linha, orientando o operador para que não deixe um espaçamento maior ou menor. Para que se possa aproveitar a volta do trator quando o mesmo chegar até o fim do terreno, a haste deve ter exatamente o dobro do espaçamento e correntes nas duas extremidades


Foto 4.2 - Demarcação do espaçamento

           As covas geralmente são quadrangulares, com dimensões em torno de 30 x 30 x 40 cm de profundidade. São feitas manualmente com enxadão, recomendando-se fazer um sulcamento (alinhamento) prévio para facilitar sua abertura e demarcação. Também podem ser feitas com um perfurador de solo (broca) acoplado ao trator. Esta operação, entretanto, não pode ser feita com o solo úmido (principalmente em solos argilosos), pois pode provocar compactação do fundo da cova e o espelhamento de suas paredes laterais, o que vai limitar o desenvolvimento das raízes.


Foto 4.3 - Subsolador adaptado para sulcamento (foi fixado um disco de grade nas hastes traseiras para aumentar o deslocamento lateral de terra).

           Nos plantios adensados, em função da pequena distância entre as plantas (principalmente na linha), recomenda-se efetuar o preparo para plantio com sulcos mecanizados. Seria como se todas as covas ficassem juntas. Isto trás grande economia de mão-de-obra. O sulco fica com uma seção triangular, apresentando dimensões em torno de 35 cm de largura e 40 com de profundidade (é melhor que seja mais profundo que largo). O sulco pode ser feito com sulcador, que é um implemento com uma haste única, apresentando abas laterais para forçar a abertura lateral do sulco. O sulco também pode ser executado com o subsolador, já que este é um implemento mais comum nas propriedades rurais. Entretanto, ele deve trabalhar somente com 3 hastes, sendo uma no centro do eixo dianteiro e as outras duas no eixo traseiro (ver fotos 4.3 e 4.4). O sulco também pode ser feito com arado de tração animal , que é um sistema mais adaptado a áreas declivosas ou a produtores que não possuem trator. Contudo, neste caso, deve-se efetuar várias passadas, para que o sulco fique com as dimensões adequadas.


Foto 4.4 - Sulcamento com subsolador adaptado.

 


           Após a abertura dos sulcos ou covas deve-se efetuar a distribuição dos fertilizantes químicos, orgânicos e, conforme o caso, o calcário. A medição da quantidade geralmente é feito em litros por cova ou metro de sulco para os adubos orgânicos e em gramas por cova ou por metro de sulco para os adubos químicos e o calcário. A recomendação desta quantidade destes será tratada no ítem 7 - Adubação . É importante frisar que o calcário aplicado na cova ou sulco não substitui a calagem prévia, sendo uma prática complementar e com objetivos distintos. A seqüência de distribuição é primeiramente os adubos orgânicos e por cima destes os adubos químicos e o calcário. No caso das covas, a distribuição é feita individualmente junto às mesmas para posterior mistura. Esta distribuição pode ser manual, sendo facilitada com o auxílio de carroças ou carretas que passam por cima das ruas. Quando se utilizam sulcos, a distribuição pode ser feita diretamente dentro do sulco e em filete contínuo. Nos sulcos também é possível efetuar a distribuição quase que totalmente mecanizada, utilizando-se para isto uma carreta de distribuição de calcário, da qual desativam-se as hélices de distribuição. Os adubos químicos e o calcário, pela sua pequena quantidade, podem ser distribuídos manualmente com bom rendimento.
           Após a distribuição dos fertilizantes, deve ser feita a mistura e o fechamento das covas ou sulcos. Em relação às covas este processo é feito manualmente: com o auxílio de enxadas, mistura-se a terra retirada das covas com os adubos e, com esta mistura, enchem-se as covas até o nível original do solo. Deve-se se tomar cuidado para que a mistura fique uniforme e bem firme na cova, para não haver excesso de porosidade. Já no caso dos sulcos, a mistura e o fechamento são grandemente facilitados, pois podem ser feitos mecanicamente. Há várias formas de se efetuar isto: o uso de um implemento apropriado para este serviço, que é uma espécie de rosca tracionada pelo trator; o uso de tração animal, sendo necessárias várias passadas com arado para mistura e fechamento do sulco; e o fechamento utilizando-se o subsolador. Este último é o sistema mais utilizado, pois utiliza um implemento comum na maioria das propriedades rurais. Para promover a mistura e o fechamento do sulco com o subsolador, deve-se deixar 2 hastes no eixo dianteiro, estando separadas por uma distância em torno de 40 cm, valor este que deve ser ajustado na prática. No eixo traseiro ficará apenas uma haste, bem ao centro. O deslocamento destas três hastes dentro do sulco é que promoverão a mistura dos adubos e o fechamento do sulco. Pode ser que a superfície do sulco fechado fique um pouco irregular, mas, com as precipitações subsequentes a superfície se iguala. Em alguns locais em que o sulco não ficou bem fechado ou muito irregular, principalmente no início e término das ruas, faz-se o acabamento manual com enxadas.


Foto 4.5 - Fechamento do sulco com subsolador.

           Antes de se efetuar o plantio, deve-se aguardar um período em torno de 40 dias para que os adubos possam reagir com o solo, principalmente caso não se utilize uma fonte de adubo orgânico bem decomposta (curtida). O processo de decomposição da matéria orgânica pode causar danos diretos às raízes dos cafeeiros e indiretos, já que ocorre a imobilização temporária de nitrogênio do solo, causando deficiência deste elemento às plantas (amarelecimento). É importante também, que hajam boas precipitações antes do plantio, para que a terra do sulco ou da cova possa "assentar" bem , diminuindo o excesso de espaços vazios, os quais poderiam provocar oxidação das raízes, prejudicando o desenvolvimento destas.

 


           O plantio das mudas no campo é uma das partes mais importantes da implantação da lavoura, caso não seja bem feito pode provocar excesso de falhas, desenvolvimento retardado das mudas e até morte tardia dos cafeeiros.

 


           Em relação à época de plantio, é bem conhecido um ditado " o plantio do café deve ser feito até o natal e o replantio até o carnaval". Na verdade, o plantio deveria ser feito logo no início do período chuvoso, por volta de setembro, quando também ocorre uma temperatura mais amena e já não há riscos de geadas. Entretanto, neste período a disponibilidade de mudas é pouca. Isto ocorre porque, para haver mudas neste período, deveria-se semear por volta de fevereiro, só que nesta época a germinação das sementes é muito baixa. Uma saída seria armazenar as sementes em câmara fria. O plantio pode ser feito nos meses mais chuvosos do ano, como dezembro, janeiro e fevereiro, podendo até dispensar a irrigação. Entretanto, estes meses são também os mais quentes, com maior evapotranspiração. Caso haja um veranico (estiagem), a irrigação deverá ser muito freqüente, podendo gerar grande perda de mudas se não houver infra-estrutura suficiente para esta prática.
           No Paraná, o plantio pode ser feito a partir de março , pois, embora chova menos, os dias são menos quentes e mais curtos (menor evapotranspiração), podendo as irrigações serem bem espaçadas. Entretanto, em regiões sujeitas à geada, recomenda-se plantar em época distante do inverno, pois as plantas novas são mais suscetíveis a este fenômeno. Se o plantio for feito a partir de meados de maio e ocorrer uma previsão de geada, as mudas poderão não estar desenvolvidas o suficiente para suportar o "enterrio total", uma das medidas mais eficazes de proteção de mudas novas contra geadas.

 


           As mudas de café destinadas ao plantio devem ser de boa qualidade, provenientes de viveiros idôneos e fiscalizados pela Secretaria Estadual de Agricultura. Mudas de qualidade devem ser vigorosas, apresentar folhas grandes, devem estar isentas de doenças, principalmente de nematóides e não apresentarem problemas de raízes, como o "pião torto" de viveiro, que é um entortamento da raiz principal ocasionado pelo transplante mal feito. Também devem estar bem aclimatadas ao sol e sem deficiências nutricionais. O estágio ideal da muda para plantio é de 4 a 6 pares de folhas (ver foto 4.6). Mudas em estágios mais avançados também podem ser plantadas, mas, neste caso, a parte aérea fica desproporcional ao sistema radicular (que é limitado pelo saquinho), ficando o pegamento mais difícil e havendo maior necessidade de irrigação.


Foto 4.6 - Muda em estágio ideal de plantio.

           Quanto à forma de produção, há basicamente dois tipos de mudas: as produzidas em saquinhos e aquelas produzidas em tubetes. As primeiras são produzidas em saquinhos de polipropileno, que é o sistema mais comum e utilizado a várias décadas, sendo, portanto, mais fáceis de se encontrar. As de tubetes são produzidas em um pequeno recipiente de plástico (o tubete), que é reutilizável, devendo ser devolvido ao viveirista após o plantio. Apresentam algumas vantagens, como: pequena chance de transmissão de nematóides, pois não utilizam terra; não formam pião torto no fundo do recipiente (ver foto 4.7) , embora possa ocorrer o pião torto de viveiro ; grande facilidade de transportar, distribuir no campo e plantar. Contudo, as mudas quando recém plantadas são mais sensíveis à seca , tendo uma necessidade de irrigação maior que as mudas de saquinho.


Foto 4.7 - Corte do saquinho mostrando o "pião torto".

           As mudas também podem ser de pé franco ou enxertadas. As primeiras são produzidas pelo processo convencional e são usadas na grande maioria dos casos. Já as enxertadas apresentam o sistema radicular de outra espécie de café (Coffea canephora), formando plantas resistentes à nematóides, sendo, portanto, recomendadas para áreas com infestação deste verme. Apresentam como desvantagem o alto custo. É importante ressaltar que o uso de mudas enxertadas é apenas uma das medidas de controle de nematóides em áreas infestadas, devendo estar associada a outras medidas , já que em altas populações, o nematóide pode quebrar a resistência das plantas.

 


           O plantio deve ser feito com o solo úmido e preferencialmente em dias nublados. Inicialmente são abertas pequenas covetas no local do sulco ou das covas anteriormente preparadas. O tamanho destas deve ser somente o suficiente para o plantio das mudas. Em seguida, as mudas são distribuídas ao lado das covas, sendo feito o corte transversal de uma fatia do fundo do saquinho (em torno de 2 cm de espessura). Isto tem o objetivo de evitar o "pião torto" de plantio, que é causado pelo crescimento do ponta da raiz principal da muda, a qual entorta ao chegar ao fundo do saquinho (ver foto 4.8). O pião torto, se não for eliminado, causará um estrangulamento na raiz, que provocará um desenvolvimento retardado e até morte de plantas quando as mesmas começarem a produzir. O corte do fundo do saquinho elimina este problema, a raiz podada rebrota e continua seu crescimento. O pião torto não aparece somente com mudas velhas, já que pode ocorrer mesmo em mudas com quatro pares de folhas (ver foto 4.7) . Entretanto, caso se utilize mudas de tubete, o corte não é utilizado. Outro aspecto a ser considerado é que muitas vezes o saquinho da muda estava inclinado no canteiro e a muda cresce torta em relação ao saquinho. O corte do fundo deve respeitar esta inclinação . Somente após o corte do fundo é que se faz a retirada do restante do saquinho. Isto é feito através de um corte longitudinal no mesmo, procurando-se cortar bem superficialmente para não atingir as raízes.


Foto 4.8 - Operação de retirada do fundo do saquinho.

As mudas são então colocadas nas covetas deixando-se o torrão das mesmas ao nível do solo (ou levemente abaixo). Joga-se terra aos poucos ao redor das mudas e vai-se compactando com as mãos, mas sem fazer pressão no torrão da muda (ver foto 4.9) . Esta compactação não deve ser excessiva e tem como objetivo fazer com que a terra da muda esteja bem em contato com o solo, facilitando o desenvolvimento das raízes. Para facilitar a irrigação, caso a mesma seja feita somente no local das mudas, pode-se plantar um pouco mais fundo em relação ao nível do terreno (no máximo 10 cm), deixando-se uma pequena bacia que ajudará na retenção da água.


Foto 4.9 - Plantio das mudas de café.

Entretanto, deve-se tomar cuidado para que o colo das mudas, abaixo das "orelhas de onça" jamais fique enterrado. Muitos cafeicultores plantam muito fundo, enterrando a região do colo. Fazem isto com o objetivo de facilitar o pegamento, Outros, embora não enterrem o colo das mudas, plantam bem abaixo do nível do solo (utilizando uma bacia muito profunda ou um sulco mal fechado), a fim de proteger as mudas do vento. Porém, a chuva, com o tempo, se encarregará de enterrar as mudas. O plantio profundo poderá causar o chamado "afogamento", um estrangulamento do caule que pode causar morte de plantas adultas. Além disto, as raízes vão explorar uma camada de terra menos fértil. Existem estudos demonstrando que, conforme se aumenta a profundidade de plantio, diminui-se a produtividade futura.


Foto 4.10 - Muda com afogamento e pião torto.

 

 


           Caso não chova alguns dias após o plantio, a irrigação se faz necessária. Na áreas que não possuem um sistema de irrigação previamente planejado, é necessário improvisar. Uma forma é levar a água até o local através de tratores com tanque e irrigar individualmente as mudas, aplicando-se cerca de três litros por planta. A periodicidade da irrigação depende muito das condições climáticas, variando de 2 a 5 dias. Uma forma de diminuir a necessidade da irrigação é o uso de cobertura morta, que consiste na aplicação de resíduos orgânicos ao redor do caule das mudas. Podem ser usados restos de cultura, pó-de-serra, casca de arroz, casca de amendoim, palha de café, entre outros. A adubação orgânica também contribui para retenção de água. A irrigação deve ser feita até cerca de trinta dias após o plantio, quando as raízes já se desenvolveram o suficiente. Porém, se houver uma estiagem muito prolongada após este período, deve-se irrigar novamente.

 


           Cerca de trinta dias após o plantio das mudas, deve-se efetuar o replantio, que consiste na substituição das mudas mortas, fracas ou defeituosas. São aceitáveis perdas de até 5%. Na prática quase sempre são necessários vários replantios, pois muitas mudas plantadas originalmente morrem mais tarde e há mortalidade também das mudas replantadas. Entretanto, não se deve deixar passar muito tempo, pois as mudas novas podem sofrer concorrência das mais velhas e não se desenvolverem adequadamente, principalmente nas lavouras adensadas com pequeno espaçamento na linha. Neste caso, só se faz um replantio muito tardio caso a falha seja grande, ou seja duas mudas ou mais em seqüência.

 


           Uma forma de facilitar o pegamento das mudas seria fazer a proteção das mudas no campo através do uso de uma cobertura artificial feita com materiais disponíveis na propriedade, como bambu, capim seco, folhas de bananeira, samambaia, entre outras. Isto protegeria as mudas do sol e reduziria as perdas de água. Esta prática era utilizada antigamente por alguns cafeicultores do sistema tradicional, entretanto, envolve grande necessidade de mão-de-obra. Além disto, a grande quantidade de mudas do sistema adensado inviabiliza totalmente tal prática. Mas, por que não se cultivar plantas na própria área do café, que pudessem exercer este papel ? Baseado nesta idéia, uma técnica vem sendo usada recentemente na região de Cornélio Procópio (GORRETA, 1998), que consiste no consórcio com feijão-guandu.


Foto 4.11 - Café consorciado com feijão-guandu.

           Esta técnica exige que se faça o preparo do solo vários meses antes do plantio das mudas. Inicialmente é feito todo o preparo do solo e das covas ou sulcos tal como descrito nos ítens anteriores. Por volta de setembro efetua-se o plantio do feijão-guandu em todas as entrelinhas dos sulcos ou covas. As plantas irão se desenvolver e fechar a área por cima, formando em baixo túneis sombreados, onde será efetuado o plantio das mudas nos meses de dezembro a janeiro (ver figura 4.11). Ocorre a formação de um microclima favorável que facilita o pegamento, dispensando o uso de irrigação. Também ocorrem outras vantagens, como a proteção contra o vento, a redução das capinas e a melhoria do solo, já que o guandu exerce também a função de adubação verde. Outra grande vantagem, é que o guandu pode ser deixado até o inverno, funcionando como proteção contra geada (mais detalhes no item 12). Após o inverno, elimina-se gradativamente o guandu, para permitir uma adaptação das plantas ao pleno sol. Observa-se que os cafeeiros dentro do guandu podem ter um desenvolvimento inicial um pouco menor em relação ao pleno sol, a não ser que ocorra uma estiagem. Isto ocorre provavelmente pela redução da fotossíntese provocada pela baixa luminosidade. Porém, este desenvolvimento menor é revertido após a retirada do gundu. De fato, não ocorrem reduções na produtividade futura das áreas formadas com guandu, até pelo contrário, a produtividade é superior.

 


           Outra tecnologia para facilitar o pegamento e desenvolvimento das mudas é o plantio direto. Neste caso, efetua-se todo o preparo normal do solo e das covas ou sulcos, no entanto, não se faz o plantio das mudas em seqüência. Deixa-se primeiro as plantas daninhas germinarem e se desenvolverem, mas sem deixá-las formar sementes . Faz-se uma aplicação de herbicida dessecante e, após o mato secar, efetua-se o plantio das mudas sobre a palha formada pelo mato seco. Com isto, consegue-se os efeitos benéficos da cobertura morta, como: retenção de umidade, proteção de erosão hídrica e redução da insolação sobre a superfície do solo.
           Este processo é muito importante no arenito Caiuá (nordeste do Paraná), em que o preparo normal do solo (normalmente em áreas de pastagem) provoca grande perda de matéria orgânica, em um solo que já é naturalmente pobre. Neste caso, não é feita aração para incorporação de calcário, mesmo que haja necessidade. Realiza-se somente a abertura e o preparo do sulco. A calagem, se necessária, é feita posteriormente, sendo dividida em parcelas anuais, aplicando-se o calcário na superfície do solo.

 


           Após o pegamento das mudas é interessante efetuar uma aplicação em cobertura de nitrogênio (cerca de 3 g/pl), isto porque este nutriente não é utilizado na adubação química das covas ou sulcos, embora esteja presente na adubação orgânica pode ainda não estar disponível às plantas. Esta adubação é feita independente da época de plantio. Posteriormente, na época adequada, é feita a adubação normal de formação (ver item 7 – Adubação).
           Em relação ao controle inicial de plantas daninhas deve-se efetuar a capina somente na faixa de plantio, deixando o mato do meio das ruas sem controle ou apenas roçado. Isto tem o objetivo de proteger o solo da erosão hídrica, já que as mudas, pelo seu porte, ainda não exercem nenhuma proteção. Entretanto, é importante plantar espécies para adubação verde no meio das ruas, prática esta que deverá ser feita na época adequada de plantio destas espécies (ver item 7 - Adubação). Nesta ocasião deverá se efetuar a eliminação total das plantas daninhas.
           Deve-se efetuar desbrotas nos jovens cafeeiros, esta operação consiste na eliminação dos ramos "ladrões" que brotam no ramo principal. Não se deve confundir estes ramos com a ramificação lateral normal do cafeeiro. Enquanto os primeiros crescem verticalmente, os ramos laterais crescem diagonalmente em relação ao caule principal, além disto, formam-se sempre ao pares. Muitas vezes, morre a gema terminal da planta (o ponteiro), surgindo duas ou mais brotações. Neste caso, eliminam-se as brotações, deixando-se apenas a mais vigorosa, esta irá continuar o crescimento do caule principal.
           Quando o caule dos cafeeiros ainda não está lignificado (ainda verde), alguns insetos podem cortá-los, principalmente grilos. Entretanto, a perda de mudas é geralmente pequena, não justificando o controle químico. São pragas polífagas (comem de tudo), assim sendo, a eliminação total das plantas daninhas da lavoura fará com que o ataque nas mudas aumente.

Fonte: Tulha Agro Informações - www.tulha.com.br




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