Jacu coffee chega em Londrina a R$ 10 a xícara

Por: Folha de Londrina.

Gisele Mendonça


O café-jacu, ou jacu bird coffee, chegou a Londrina. O produto, que vem do Espírito Santo e está ganhando o mundo, tem como principal característica o fato de passar pelo intestino do jacu antes de chegar ao terreiro. A ave come o fruto maduro e defeca os grãos inteiros, que depois são processados para chegar ao consumidor. Na cidade, o café só é servido na forma de espresso: R$ 10 a xícara. Se fosse para levar para a casa, a embalagem de 250 gramas (em grãos torrados) sairia muito caro, já que o custo para o comerciante está em torno de R$ 40.


O produto é inspirado no café mais caro do mundo (R$ 25 a xícara, em São Paulo), o kopi luwak, da Indonésia, cujos grãos são comidos por um felino. No caso do jacu, praticamente toda a produção vai para o mercado externo (Tóquio, Londres e Costa Oeste dos Estados Unidos) e uma pequena parte é vendida no Brasil, principalmente nas capitais.


O café é produzido desde 2006, mas tornou-se conhecido em território nacional depois da divulgação na mídia em setembro do ano passado. Desde então, a comerciante Cristina Maulaz está tentando trazê-lo para Londrina, mas só conseguiu fechar o negócio agora porque faltava produto para atender a demanda. A novidade começou a ser servida nesta semana.


”Estou ligando para as pessoas virem conhecer. Comprei em pequena quantidade para sentir o mercado. Quem aprecia café está gostando. Na verdade, é uma iguaria, uma bebida fina”, diz Cristina, da loja O Armazém. Dois especialistas no assunto estiveram no local para uma degustação. Eles tomaram a bebida sem açúcar, do jeito que se prova os chamados cafés especiais.


Afinal, o tal café que vem nas fezes do jacu é bom? ”Muito bom. Harmonioso, equilibrado e tem uma acidez desejada. Deixa um sabor residual muito agradável na boca. Lembra fruto maduro, adocicado. Está vendo esse creme que fica na xícara depois que acaba? É sinal de qualidade. Enfim, é um café maravilhoso, para degustar como se estivesse tomando uma raridade”, descreve Marcos Aurélio Bacceti, produtor, corretor e degustador de café para fins comerciais e de pesquisa. Ele já havia experimentado a bebida em São Paulo.


A bioquímica Maria Brígida Scholz, pesquisadora de café do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), tomou o café-jacu pela primeira vez e também aprovou. ”Esperava que fosse um bom café. E realmente é. É muito doce, com acidez aceitável, bem agradável. O ponto de torra é suave, muito aromático”, afirma ela, que também é degustadora oficial de café. Segundo Brígida, trata-se de um café super selecionado, já que o jacu escolheu no cafeeiro os frutos bons e bem maduros. ”O pássaro é atraído pelo doce do café”.


Tanto Bacceti quanto Brígida observaram que, independentemente do processo no sistema digestivo do pássaro, a qualidade do café já é muito boa. É cultivado em uma região de montanhas e certificado como orgânico e biodinâmico. ”Vale lembrar que o Brasil sempre produziu um excelente café, mas não falávamos dessa qualidade. O Paraná, por exemplo, tem café excepcional”, observa Bacceti.


O empresário Daniel Malamud, que também participou da degustação, achou que a bebida tem ”sabor único, diferente”. ”É bem equilibrado, com uma acidez boa. Você sente aquele amarguinho só no final, mas depois some da boca”, diz.


Depois de algum tempo na mesa ao lado, na cafeteria, ouvindo as conversas sobre o ”jacu”, o médico Roberto Tino e a esposa Denise Tino, professora, tomaram coragem e pediram a bebida. ”Tirando a excentricidade, é um bom café. Não é só uma boa jogada de marketing”, disse ele. ”Fiquei meio receosa de tomar, mas gostei”, afirmou ela, a única pessoa entrevistada que assumiu o estranhamento de experimentar a bebida.



 

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