Dívida da cafeicultura e criação de estratégias na exportação foram os principais assuntos levantados em Piumhi pela Associação Nacional dos Sindicatos Rurais das regiões produtoras de Café e Leite (Sincal) durante reunião ordinária mensal
A dívida da cafeicultura junto a instituições financeiras e a criação de estratégias de mudança na exportação do produto foram os principais assuntos levantados na manhã de sexta-feira em Piumhi pela Associação Nacional dos Sindicatos Rurais das Regiões Produtoras de Café e Leite (Sincal) durante reunião ordinária mensal.
O evento a participação de aproximadamente 50 pessoas, entre cafeicultores, sindicatos e associações de produtores rurais da região.
No encontro, o presidente executivo, Armando Matielli, discorreu sobre vários problemas enfrentados pela classe que, nos últimos anos, resultaram na desvalorização do produtor e do grão. “Enquanto países concorrentes vendem a saca entre R$ 500 e R$ 550, vendemos o nosso produto entre R$ 270 e R$ 280, com um custo acima de R$ 350. Isso não tem lógica”, observou.
Matielli explicou que o Brasil tem vendido o produto ao exterior por um preço até 40% mais baixo que os principais concorrentes e que a dificuldade para exportar causou perdas de US$ 28 milhões nos últimos 13 anos. Para ele, uma situação que pode ficar ainda mais grave. “Enquanto países concorrentes vendem a saca entre R$ 500 e R$ 550, vendemos o nosso produto entre R$ 270 e R$ 280, com um custo acima de R$ 350. Além de não ter lógica, isso precisa ser coibido o mais rápido possível, antes que mais e mais cafeicultores se envolvam com mais endividamentos”, disse.
Segundo ele, o Brasil acumula dívida de R$ 10 bilhões na cafeicultura. “Precisamos de medidas urgentes na política de exportação do produto”, disse. Ele afirmou que o país possui cerca de 320 mil cafeicultores, sendo que 94% são pequenos ou mini-produtores.
Desde o ano passado a Sincal participa de reuniões com representantes de estados e do país. No último dia 22, sindicatos filiados à entidade se reuniram com o ministro do desenvolvimento, Miguel Jorge, em São Paulo, e manifestaram preocupação quanto a competitividade do grão.
Conforme Matielli, a Sincal agenda para este mês encontro com o Poder Executivo da União, com o objetivo de propor estratégias para romper as barreiras e entraves que dificultam a vida do produtor rural e melhorar o preço do café.
O encontro em Piumhi é o segundo realizado neste ano pela entidade, que além de discutir assuntos pertinentes a cafeicultura, prestou contas financeiras. A primeira reunião de 2010 aconteceu no último dia 12, em Altinópolis (SP).
Propostas
Entre as medidas propostas pela Sincal para melhorar as condições de trabalho dos cafeicultores está a liberação de verbas para aquisições de calcário, adubos e defensivos; levantamento de estoques com verbas do Funcafé, contratando empresas de credibilidade internacional para evitar as especulações; erradicação de lavouras de baixa produtividade com remuneração ao cafeicultor para abater as suas dívidas perante o Funcafé, além da liberação de recursos para a compra de materiais de colheita e revisão dos veículos para o transporte de trabalhadores.
Fonte: Folha da Manhã
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