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Consumo

08/02/2010 23:24
PQC - Programa de Qualidade do Café: Benefícios para indústrias e consumidores



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Ao contrário do processo de educação dos consumidores, que exige mais tempo e muita experimentação para que eles assimilem que café não é tudo igual e que existem categorias com qualidades e preços distintos, o processo de adoção da cultura da qualidade pelas empresas é extremamente rápido.

NA BAHIA - “Mudou tudo dentro da minha indústria, a cultura, o comportamento e o comprometimento de todo o pessoal”, diz Pavel Cardoso, da Sobesa Industrial de Alimentos Santanense, de Santana, município do interior baiano, a 900 km de Salvador.
Pavel preparou a sua empresa durante todo o ano de 2008 para ingressar no PQC – Programa de Qualidade do Café, da ABIC – Associação Brasileira da Indústria de Café. Em 2009 a indústria passou pela auditoria e já tem cinco marcas certificadas na categoria Tradicional; uma, na Superior e quatro, na categoria Gourmet. A preparação exigiu cursos básicos que foram ministrados por uma profissional especializada em ciências de alimentos. “Foram cursos básicos mesmo, começando por ensinar noções de higiene, como lavar as mãos”, diz Pavel. A transformação da equipe superou qualquer expectativa. “Todos passaram a entender a importância de cada um no resultado final. Consegui mais compromisso na formatação do blend, por exemplo. Como prêmio, todos ganharam participação nos resultados”. Para Pavel, além dos colaboradores se mostrarem satisfeitos – “a gente vê satisfação no rosto deles” – a questão da qualidade entrou no DNA da empresa.

NO RIO DE JANEIRO - Mais que boas práticas de fabricação, a certificação pode melhorar todos os processos da empresa. “A visita dos auditores agrega conhecimento e promove um maior envolvimento de todos os funcionários”, diz Adriana Guedes, da Café Faraó, empresa de Volta Redonda, do Rio de Janeiro, uma das primeiras a aderir ao PQC, em 2004. Isso porque os auditores agem como consultores.

EM GOIAS - "Os auditores ajudam muito. Eles dão dicas como, por exemplo, de armazenagem e de melhorias que podemos fazer na fábrica”, completa Ricardo Ander de Oliveira, da Café Rancheiro, de Goiás, há três anos no PQC.

POSICIONAMENTO E VALORIZAÇÃO - Além disso, o acompanhamento feito pelas auditorias e o monitoramento do padrão do sabor ao longo do tempo, por meio das avaliações sensoriais, auxiliam as indústrias a melhor posicionarem seus produtos no mercado, diferenciando-se da concorrência. O PQC conta hoje com 54 empresas e 318 marcas certificadas. São indústrias de todos os portes, das maiores às menores. Do total de marcas, 51% são certificadas na categoria Tradicional; 26%, Gourmet, e 23% Superior. Na avaliação global feita pelo Instituto Totum, todos os cafés participantes do PQC têm maior valor no mercado. O preço médio de um 1 kg de café certificado pelo programa é de R$ 10,50, enquanto um não-certificado está R$ 8,00. No comparativo de preços médios mais altos, os cafés do PQC custam R$14,00 e os demais R$ 10,50.

Diferenciação

EM MINAS GERAIS - Trabalhar com categoria de produtos ajuda, “mas ainda não está fluindo como devia”, analisa Mônica Vilela, da indústria Café Padre Victor, de Três Pontos, em Minas, também no PQC desde o início. Uma das razões dessa não fluidez é explicada por Adriana Guedes, da Café Faraó: “Precisa haver mais adesão; o programa precisa ter mais empresas e marcas”.

A OPINIAO DO VAREJO - Trabalhar com categorias de produtos, por sua vez, requer a compreensão do próprio varejo. “Já tem uma conscientização por parte dos supermercadistas em relação a isso”, diz Sussumu Honda, presidente da Abras – Associação Brasileira de Supermercados. Vinho, azeite e até azeitona já são produtos com os quais se trabalha por categoria, maior valor agregado e certificação. Mas o aumento da demanda desses produtos, para ele, está ocorrendo na medida em que está aumentando a renda do consumidor. Sussumu Honda, que atua no setor supermercadista desde 1971, sempre acompanhou os trabalhos e esforços da ABIC e, mais uma vez, diz ter certeza que este programa de qualidade será também vitorioso. “O supermercadista também é um consumidor”, diz ele, referindo-se ao fato de que também eles têm que aprender a diferenciar.

PALAVRA DO PRESIDENTE - “Qualidade é o motor do aumento do consumo”, define Almir José da Silva Filho, presidente da ABIC e executivo da indústria Café Toko, de Juiz de Fora, Minas Gerais, primeira empresa a ter um produto certificado na categoria Superior (hoje já são duas marcas nesta categoria, além de cinco Gourmets e 3 na categoria Tradicional). Por isso, a ABIC tem entre suas metas prioritárias, em 2010, avançar no PQC, buscando a adesão de um maior número de empresas.

É um trabalho paulatino, assim como foi o do Selo de Pureza e como é com os demais programas liderados pela entidade. Mas o resultado compensa. Basta lembrar que há cinco anos as licitações públicas baseavam-se unicamente no menor preço. Hoje, não só a grande maioria exige um nível mínimo de qualidade, com base no programa da ABIC, como o estão elevando, a exemplo do governo de Minas e do Exército Brasileiro, que estipularam 6 pontos como nota mínima de qualidade (na escala de zero a 10), enquadrando o café na categoria Superior.

Fonte: Abic

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