09/03/10
Hoje, no Mercado Municipal, os melhores baristas estarão na segunda edição do Latte Art Championship
Ana Bizzotto
Para os baristas experts em latte art, preparar um belo cappuccino vai além da qualidade e do sabor do café com leite. Essa mistura precisa ser feita com muita técnica e precisão para que se transforme em um desenho que surpreenda o cliente. Uma mostra do que esses profissionais são capazes pode ser vista hoje na 2ª edição do Latte Art Championship, no Mercado Municipal.
Os dez baristas participantes da competição, que ocorre junto com o Campeonato Brasileiro de Baristas, terão oito minutos para preparar e servir dois cappuccinos, dois caffés machiattos - espresso com a espuma do leite - e duas bebidas de criação própria. As duplas de bebidas têm de estar idênticas entre si, e a criação própria precisa também ser igual à da foto apresentada aos jurados. O vencedor representará o Brasil no mundial em Londres, entre os dias 23 e 25 de junho.
Há nove anos no ramo de cafeterias, Bruno Ferreira, de 23, fará sua estreia no campeonato. Barista do Suplicy Cafés Especiais, ele começou a praticar a latte art há um ano e considera o trabalho uma mistura de física, química e preparo emocional. \"Não basta ser intuitivo. É preciso controlar a densidade e a temperatura do leite e medir a força do impulso para jogá-lo com precisão no café, de acordo com o tipo de desenho\", ensina Ferreira.
Uma das regras, segundo ele, é não deixar o leite encostar na borda da xícara. \"Quem faz isso perde pontos na competição, seria como se a tinta vazasse para a moldura da tela.\"
Campeão do 1º Latte Art Championship, em 2009, e de um campeonato anterior realizado em 2007, o barista autônomo Eder Delfino, de 28 anos, atribui as conquistas ao treino e ao esforço em manter o próprio estilo. \"Uma vez tentei imitar o melhor barista do mundo e só perdi tempo. Cada um tem de trilhar o próprio caminho para conseguir resultados. Eu sempre estabeleço uma meta e confio no meu trabalho\", diz Delfino, que também compete hoje.
O barista Denis Barbosa, de 21 anos, se dedica há um ano à prática da latte art no Octavio Café. Segundo ele, que ficou em 2º lugar em 2009, a observação é a melhor forma para começar. \"Assisti a vários vídeos do YouTube e também prestava atenção no trabalho de colegas experientes\", conta. \"Mas, antes de pensar em desenhar, é preciso saber bem como tirar o café da máquina e vaporizar o leite.\"
A latte art é um dos critérios de avaliação da Associação Brasileira de Café e Barista (ACBB), organizadora do campeonato, para conceder o certificado de barista. Na competição, os participantes serão avaliados pela harmonia, elegância e criatividade do desenho. A bebida também tem de ser saborosa. Eles podem usar apenas leite, café, a máquina de espresso e as leiteiras. O desenho free fall (queda livre), feito com essas ferramentas básicas, é o que requer maior destreza.
Para quem quer arriscar um desenho em casa, os competidores recomendam a calda e o palito para fazer os grafismos. Corações, tulipas e rosetas, feitos com a técnica free fall, são os preferidos dos competidores. Em casa, é possível arriscar formas gráficas mais fáceis.
ORIGEM
Segundo a tricampeã brasileira de baristas Silvia Magalhães, diretora de qualidade do Octavio Café, a latte art começou a ser praticada pelo espanhol Jorge Sabados. \"Em outros países, a técnica é muito desenvolvida na Coreia do Sul, Japão, Austrália e Nova Zelândia\", explica Silvia. No Brasil, a arte se difundiu em São Paulo, Rio e Porto Alegre. \"É uma forma de o barista encantar os clientes e estabelecer um contato mais próximo.\"
O Suplicy promove às quintas-feiras campeonato aberto a todos os baristas. Quem quiser aprimorar a técnica também pode procurar cursos da Unioctavio e do Sindicato do Café.
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