Cafeicultores do Espírito Santo não estão conseguindo mão-de-obra para a colheita por causa do Bolsa-Família

05/12/2006 06:12:14 –

5 de dezembro de 2006 | Sem comentários Comércio Mercado Interno
Por: A Gazeta - ES

Preocupações crescentes

Por Uchôa de Mendonça

Os produtores de café do Espírito Santo estão passando por um momento de dificuldades: a mão-de-obra para a colheita. Antes, abundante, oriunda de vários pontos, ela surgia nas ocasiões propícias, na busca daquele dinheiro certo. Hoje, com o advento do Bolsa-Família, a situação tomou um rumo surpreendente, e os produtores rurais estão enfrentando um problema que nunca imaginaram.

Com a pressão do Ministério do Trabalho e Emprego, para que o empregador assine a carteira de trabalho do chamado bóia-fria, a surpresa veio com a recusa do trabalhador em entregar seu documento, que, se assinado for, impedirá que ele receba o Bolsa-Família, que beneficia quem está desempregado…

O mesmo está acontecendo com o produtor de cana, que não está encontrando, no momento que mais precisa, aquela mão-de-obra sempre disponível, obrigando-o a ingressar no campo da mecanização, que, entretanto, não pode atender a todos os produtores, mormente os que possuem plantações nas áreas montanhosas.

A respeito do Bolsa-Família tivemos recentemente o pronunciamento do presidente da Comissão Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz, dom Aldo Pagotto, que fez a seguinte observação: “É só uma ajuda pessoal e familiar. É verdade que 11 milhões de famílias recebem o Bolsa-Família no Nordeste e no Norte, mas isso levou a uma acomodação, a um empanzinamento. Não se busca mais, parece que não há visão do crescimento, desenvolvimento e inserção”.

Na visão de dom Aldo a política de gestão do “professor” Lula tem desencadeado o que chamou de “favelização rural”, devido a essa ausência de crédito e assistência técnica. “O povo vai desistindo de plantar”, defendendo ele que o presidente ouça mais o povo.

A reforma agrária brasileira é uma tragédia, está promovendo a favelização do meio rural, onde as famílias, sob o comando do MST, se amontoam à beira das estradas como um espécie de propaganda contra o desenvolvimento nacional. Onde tem uma fazenda organizada, um campo experimental, principalmente de grupo estrangeiro, promovem invasões, com o objetivo de destruir tudo que encontram pela frente.

Estamos caminhando para uma agitação social sem precedentes na história nacional. Não existe dinheiro, não há mecanismo de salvação para essa gente despreparada, que precisa ser sustentada eternamente, de cesta básica, porque não produz nada, gasta tudo que recebe com bebidas e até mesmo festas, com grande irresponsabilidade, para satisfação de uma liderança que se mobiliza exatamente pela destruição dos sentimentos de desenvolvimento nacional.

A CNBB, por meio de suas mais expressivas lideranças, como dom Aldo Pagotto, Geraldo Magella e outros, que criticam a política social de Lula, lastimam esse processo de negociação de cargos públicos em troca de apoio político.

Não vai demorar muito para ocorrer uma grande tragédia nacional, no campo das insatisfações sociais, pela irresponsabilidade governamental.

Gutman Uchôa de Mendonça escreve às terças e aos sábados.e-mail: fecomes.vix@zaz.com.br





OPNIÕES


Amigos da News Cafeicultura:


 


Não é só  no Espírito Santo que o Bolsa Família está criando problema para a cafeicultura.


 


Aqui na Bahia o problema  é o mesmo, lamentavelmente.


 


Estamos criando no Brasil uma  nova classe  de esmoler, incentivando nossos trabalhadores ã preguiça e a acomodação. Em troca de R$60 ou R$90 não se busca emprego.


 


Mesmo na mão de obra temporária de 3 a 4 meses por ano ganhando R$350,00 no mínimo não temos  trabalhador.


 


Que equívoco ! Os R$720,00 de R$60,00 em doze meses seriam ganhos em praticamente dois meses na colheita do café. Isto pode ser positivo no combate a fome e na criação do cartório eleitoral da esquerda, mas decisivamente não incentiva a busca de emprego duradouro.


 


Abraços


 


João Lopes Araújo


Produtor de café ha 35 anos e


Presidente de Honra da Assocafé


 








Como no Espírito Santo e também na Bahia, nos produtores do Nordeste Mineiro, estamos enfrentando o mesmo problema. A “Bolsa Renda” rebatizado por aqui de “Vale Esmola”, para todos efeitos o recipiente deste fica “Proibido Trabalhar” (PT?) pois estes não querem que assine a Carteira de Trabalho pois perdem os benefícios.


 


O pretendente ao Bolsa Renda deve se obrigado a fornecer pelo menos 3 assinaturas de empregadores da região todo mês atestando que procurou em vão emprego de carteira assinado para poder receber os benefícios sociais destinados aos desempregados ou sub- empregados. Sem alguma forma de fiscalização do programa, continuaremos com nossa mão de obra parada sendo bancados pelos que trabalham


 


Joe Crescenzi








Custo da Colheita de Café

O que está ocorrendo no locais citados na reportagem, é insignificante ao que já acontece há muito tempo no sul de Minas.
Na última safra, o ganho médio por apanhador na cidade de Nova Resende – MG, ficou em torno de R$ 55,00 por dia.
Na minha lavoura foram muitos os trabalhadores que receberam R$ 600,00 durante uma semana.
Para maiores detalhes, favor consultar o núcle da Cooxupé localizado na cidade.
No meu caso a produtividade foi alta, felizmente, mas mesmo assim tive um custo médio de quase R$ 9,00 por algueire na última colheita.

José Esmar Ferreira
Produtor há 11 anos


 







 

Prezados senhores, boa tarde.

Dentro do cenário extraído da realidade do Sr. Gutman Uchôa de Mendonça, faz-se necessário uma reflexão menos partidária e mais lógica, a cerca dos assuntos: Bolsa família, escassez de mão-de-obra na cafeicultura do ES (pois esse é o tom da discussão), MST, reforma agrária e governabilidade do Presidente Lula.

a) quanto ao Bolsa Família, é fato sim, que este possa provocar uma situação comodista para quem, muitas vezes, não tem como produzir nem para o sustento de sua família, como é o caso de algumas populações sertanistas e de outras regiões do Brasil. Todavia, isso não dá o direito que coloquemos alguns exemplos, como a realidade de todos os beneficiários, bem como do programa governamental. É muito fácil as pessoas raciocinarem com a “barriga cheia”. Isso não quer dizer que eu defenda o programa em sua totalidade.

b) quanto à escassez de mão-de-obra, esse não é um problema eminentemente desse período em que se passa a discussão, pois acompanho o processo de seleção de mão-de-obra na cafeicultura, principalmente no município de Marechal Floriano/ES, há 16 anos e vejo que a cada ano que se passa, esse insumo para os cafeicultores se torna mais complexo e escasso. Complexo, pela não qualificação da mesma, traduzindo em prejuízo aos produtores rurais. Escasso, por vários motivos. Dentre eles, no caso do ES, com as mudanças climáticas ocorridas nos últimos tempos, as safras do cafe conilon (na região norte) e, a do café arábica (na região centro serrana), estão ocorrendo quase que concomitantemente, gerando dessa forma uma concorrência dos já tão disputados, “safristas”. Também podemos ressaltar como fator explicativo, as oportunidades proporcionadas por outros setores da economia capixaba, provocando o êxodo rural, ou até mesmo, permitindo que os antes colhedores de café, agora sejam colaboradores qualificados para a indústria ou outro setor.    

c) MST. Esse sim, é um movimento que olhando pelo aspecto da evolução da organização social, vemos que regredimos; lamentavelmente. Todavia, vale ressaltar que nem todos os integrantes agem da mesma forma e, que existem pessoas que realmente são apaixonadas por um “pedaço de chão” para poder plantar e anseiam por isso e merecem. A solução talvez venha através de uma reforma agrária responsável e bem estruturada, resolvendo o problema desse cidadão e também, dos latifúndios que nada produzem. Deixo claro, que sou determinantemente contra o radicalismo e as invasões, características desse movimento.

d) quanto a governabilidade do Presidente Lula, a discussão é longa e atrativa, porém, prezo pelo respeito à autoridade, se nada tenho como proposta plausível para oferecer à nação brasileira.

Como podem ver no meu ponto de vista, o Bolsa Família não pode ser culpado pela escassez de mão-de-obra da cafeicultura e de outros setores. Existem outros fatores que afetam diretamente essa variável.

Grato pela oportunidade,


Adimilson da Silva Tibúrcio
Economista

 






 


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